O jornalismo transmídia

As novas mídias, os dispositivos móveis e eletrônicos proporcionaram uma nova forma de construir e veicular a informação. Youtube, Twitter, Facebook, blogs e outras plataformas de comunicação possibilitaram um alcance mais amplo com o público e permitiram uma maior participação com este.

O jornalismo transmídia vai se apropriar dessas plataformas para produzir uma reportagem de amplo alcance, na qual os usuários podem ter contato: utilizando o smartphone, assistindo à televisão, ouvindo a rádio ou com qualquer outro meio de veiculação que a notícia esteja adaptada.

Espera aí, o que é transmídia?

De acordo com Jenkins (2009), transmídia é uma convergência de textos para criar uma narrativa tão ampla que não pode ser contida em uma única mídia. Dessa forma, o texto se desenrola através de múltiplas plataformas de mídias que alteram a história e as adaptam de acordo com o meio, sendo que cada modificação contribui para um todo em comum.

Para melhorar a compreensão sobre transmídia, assista ao vídeo abaixo:

Jornalismo coletivo

A transmídia no jornalismo utiliza a participação dos usuários para a construção das reportagens. A rapidez com que a informação é compartilhada através dos dispositivos móveis permite aos profissionais da comunicação ficarem cientes de algum ocorrido com uma maior facilidade e por vezes chegam até a usar fotos ou vídeos feitos pelas pessoas que estavam presentes no momento exato da situação.

Ao se apropriar dessas informações o jornalista vai adaptá-las para cada mídia, e assim a notícia é apresentada de um jeito no jornal impresso, de outro na TV e alcança o leitor onde quer que ele esteja, desde que este possua um dispositivo móvel.

Segundo Scolari (2014, apud MASSAROLO 2015), o jornalismo sempre teve um caráter transmídia, mesmo na época em que não existia redes sociais os usuários ligavam para às rádios, mandavam cartas para os editores de jornais e as notícias expandiam do rádio para a televisão e para os impressos.

Graças ao surgimento das novas mídias e o papel fundamental dos dispositivos móveis esse processo ganhou uma maior dimensão.

Jornalismo  e usuários

A rede Globo criou novas plataformas para se enquadrar cada vez mais ao modelo transmidiático. O portal Globo.com, por exemplo, possui ramos como o G1, O Globo Esporte, GShow, blogs e estes, por sua vez, estendem o conteúdo jornalístico e de entretenimento veiculado na TV e contam com a participação dos usuários.

globo

Plataformas da Rede Globo (Foto: Reprodução)

O jornalismo está se apropriando cada vez mais da interação com os seus usuários. Pois, tudo está interligado. De acordo com Jenkins (2009), o público está acabando com a ideia de que só autor pode escrever a história e por sua vez, está inovando e reescrevendo as histórias.

Veja o que Jenkins aborda nesse vídeo:

Narrativa transmídia para além do jornalismo

Um exemplo de narrativa transmídia pode ser observado na história do filme Capitão America: Guerra Civil (2016), da Marvel Studios, em que existe uma relação com todo o universo da Marvel.

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Imagem: Divulgação

Essa história é veiculada através de outros filmes, séries, HQs e vídeo games. Em cada uma dessas plataformas vai existir uma nova história que está relacionada com todas as outras, ou seja, a pessoa que assistir somente a um filme vai entender um pedaço da história e para que ela entenda o todo é preciso navegar por todos os meios.

Conclusão

O jornalismo transmídia faz parte de uma nova era: a Era da Convergência de Informações. Ele se utiliza das novas plataformas e das novas mídias para ampliar a capacidade de participação e alcance ao público.

No jornalismo transmídia não existe autor, mas sim, autores e autoras pois, a participação do público é o que inova cada história.

Referências

JENKINS, H., Cultura da Convergência, RJ. Aleph, 2009.

MASSAROLO, João. Jornalismo transmídia: a notícia na cultura participativa. Revista Brasileira de Ensino de Jornalismo, Brasília, v. 5, n. 17, p. 135-158, jul./dez. 2015. Diponível em: <http://www.fnpj.org.br/rebej/ojs/index.php/rebej/article/viewFile/433/255&gt; . Acesso em: 24 ago. 2016.