A realidade construída pelos jornalistas

A forma como as pessoas se comunicam vem sendo alterada ao longo do tempo de acordo com as novas tecnologias que surgem. Antes, as pessoas esperavam dias a chegada de uma carta para se atualizarem sobre a vida de algum parente que morava em outra cidade ou até mesmo para saber algo sobre a sua própria cidade era necessário esperar a informação passar pelo boca-a-boca.

Esse processo passou por uma drástica mudança com a chegada do rádio, da televisão e do jornal impresso. Essas mídias são consideradas como mídias massivas. Utiliza-se aqui o conceito de mídia massiva, de acordo com André Lemos

“Por função massiva compreendemos um fluxo centralizado de informação, com o controle editorial do pólo da emissão, por grandes empresas em processo de competição entre si, já que são financiadas pela publicidade. ” (Lemos, 2007)

Então, nessa fase a informação ganhou uma mobilidade maior, porém, era unidirecional e controlada por grandes corporações. De modo que não existia uma interação com telespectador.

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Com a chegada das novas tecnologias como internet, dispositivos móveis etc, entramos para uma fase de mídias pós-massivas que, ainda segundo Lemos

“As mídias de função pós-massiva, por sua vez, funcionam a partir de redes
telemáticas em que qualquer um pode produzir informação, ‘liberando’ o pólo
da emissão, sem necessária mente haver empresas e conglomerados econômicos por trás.” (Lemos, 2007)

Agora, a forma de produzir informação se altera completamente. Além da rapidez de disseminação, ainda temos o fato de que qualquer pessoa pode produzi-la. Hoje, temos um cenário em que as mídias massivas e pós-massivas coexistem e é exatamente aí que o jornalista vai obter um novo papel, o de construtor da realidade.

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Cenário híbrido

Por que essa ideia de construir uma realidade?

Antes da cultura massiva, já era difícil relatar um ocorrido sem que este sofresse alterações ao longo da comunicação. Então, em pleno século XXI isso se tornou impossível.

Um fato pode ser descrito de várias maneiras e cada relato causará um impacto diferente nas pessoas. De forma que a realidade será lida de modo diferente por cada pessoa. O veículo que serve de fonte de informação, bem como o canal, também ajudam a moldar a realidade para cada espectador.

Segundo Penna (2010, apud CASTRO 2013) o Jornalismo “está longe de ser o espelho do real. É, antes, a construção de uma suposta realidade”. O jornalista vai construir uma informação de acordo com aquilo que lhe é conveniente. E para um leitor que leia apenas essa versão, terá a sua realidade construída a partir de um único ponto de vista.

Existe um lado perigoso

O fato de qualquer pessoa poder veicular uma notícia, pode ser algo muito perigoso. Existe uma necessidade de mover a informação a todo tempo, seja sobre sua vida pessoal, sobre algo injusto que aconteceu dentro do ônibus ou até mesmo um acidente que você presenciou.

A rapidez com que isso ocorre se deve graças aos territórios informacionais que, de acordo com Lemos (2007) se manifesta, por exemplo, quando uma pessoa se conecta a uma rede wi-fi de um parque e passa a navegar por outras zonas que estão além daquela fisicamente delimitada.

Hoje, quase todos os lugares possuem territórios informacionais. Isso permite ao jornalista ter um poder de alcance muito grande e muitas vezes este está tão preocupado em passar a informação que não se atenta em analisá-la com mais criticidade.

O que aconteceu, por exemplo, no caso “Escola Base”. De acordo com Luis Nassif do jornal de todos os brasis, os donos da Escola Base Icushiro Shimada e Maria Aparecida Shimada foram acusados de abusarem sexualmente dos alunos da escola. Sendo que na verdade, eles eram inocentes.

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Fotos da escola após a publicação da matéria

Os donos da escola chegaram a ser presos e a instituição foi atacada. O fato deles terem sido declarados inocentes, não irá apagar todo o sofrimento passado pela família, que poderia ser evitado caso houvesse mais cuidado na apuração. Essa foi uma realidade construída sem provas, que causou danos irreparáveis para a vida dessas pessoas.

Para saber mais da história clique AQUI.

Conclusão

Devido ao novo cenário híbrido e aos territórios informacionais, a informação alcança pessoas conectadas em todo o mundo, tornando a mobilidade informacional incontrolável. O jornalista se apropria dessa rede para construir uma nova realidade onde quer que ele esteja, sem muitas vezes tomar o cuidado de analisar com criticidade a situação.

Referências

Lemos, A. Cidade e mobilidade.Telefones celulares, funções pós-massivas e territórios informacionais. MATRIZes, v. 1, n. 1, 2007. Disponível em: http://www.facom.ufba.br/ciberpesquisa/andrelemos/Media1AndreLemos.pdf

Castro, A. Teorias do Jornalismo, Universidade e Profissionalização: Desenvolvimento Internacional e Impasses Brasileiros. 2013. Disponível em: http://www.bocc.ubi.pt/pag/castro-alexandre-2013-teorias-jornalismo.pdf

Nassif, Luis. O caso escola base, 20 anos depois. O Jornal de Todos os Brasis. 2014. Disponível em: http://jornalggn.com.br/noticia/o-caso-escola-base-20-anos-depois

 

Posso tirar uma foto?

Uma mãe deixa seu bebê de poucos meses deitado no chão de um aeroporto, enquanto encara distraída o celular, nos EUA. No México, uma mulher comprometida beija outro rapaz numa festa de despedida de solteira. Estes dois eventos não gerariam grandes comoções ou consequências graves se não fossem alardeados nas redes sociais com a ajuda de dispositivos móveis. O primeiro caso se trata de uma mãe que foi duramente criticada pela aparente displicência para com o filho na internet — e só mais tarde conhecemos o contexto da história. O segundo, de um caso privado de adultério que resulta no fim de um relacionamento.

A constante vigilância na qual estamos naturalizadamente submetidos ganha nova força com a presença atuante das redes sociais em articulação com os dispositivos móveis. Para além do controle governamental, há um efetivo entendimento de que, com a liberação do ponto de emissão, todos podem controlar, vigiar e, eventualmente, punir. Afinal, a exposição de qualquer ato ocorrido em zona pública está a um toque na tela do smartphone: a compreensão de que tudo pode ser compartilhado, o entendimento da internet como um repositório do mundo, o fácil acesso aos acontecimentos de interesse público e minúncias da vida privada, uma série de fatores contribui para um controle mútuo e recíproco de uma sociedade de ações mediadas por tecnologias móveis. Isso afeta, como vimos, no jornalismo: agora todos podem ser cães de guarda, e não apenas do Estado, mas de todas as ações de possível visualização. Para o bem e para o mal.

“A mobilidade por redes ubíquas implica em maior liberdade informacional pelo espaço urbano mas, também, uma maior exposição à formas (sutil e invisíveis) de controle, monitoramento e vigilância” (Lemos, 2009). Privacidade e anonimato estão ameaçados no cenário dos dispositivos móveis.

E o jornalista?

Neste contexto, qual o papel do jornalista, afinal? Certamente, por questões éticas, estaria o trabalho de proteger essas esferas. Checar a veracidade dos fatos, tarefa que pode ser facilitada por meio dos dispositivos móveis, deveria ser o mandamento número um. Infelizmente, não é o que temos visto. Jornalistas e meios de comunicação reproduzem boatos como se já tivessem sido comprovados. Ajudam a expor pessoas que sofrerão os mais diversos julgamentos na internet, independentemente do fato ser verídico ou não (sendo que nem a veracidade justificaria certos posicionamentos).

A pior parte nessa história, passado todo o constrangimento inicial, é que tudo que está na internet deixa rastros (BRUNO, 2012). Pessoas que têm suas vidas expostas na internet em algum momento, ainda poderão ser afetadas por esses problemas por muitos e muitos anos.

O lado positivo

Por outro lado, os rastros deixados na internet possibilitam ao jornalista realizar trabalhos que antes não eram possíveis. O jornalismo de dados tem atraído tanta atenção ultimamente que diversos manuais, cursos e debates têm sido produzidos para tentar fazer com que os jornalistas saibam aproveitar os dados da melhor maneira possível, para apurar e apresentar fatos.

Como sempre, não se pode afirmar que a tecnologia é positiva ou negativa. Os dispositivos de monitoramento e controle podem ser utilizados de forma benéfica ou maléfica. Cabe a nós cobrarmos pela transparência e pelo direito de escolha e privacidade, por exemplo.

Referências

BRUNO, Fernanda. Rastros digitais sob a perspectiva da teoria ator-rede. Porto Alegre, v. 19, n. 3, pp. 681-704, 2012.

LEMOS, André. Mídias locativas e vigilância: sujeito inseguro, bolhas digitais, paredes virtuais e territórios informacionais. Curitiba: PUCPR. 2009.

Manual de Jornalismo de Dados. Disponível em: < http://datajournalismhandbook.org/pt/index.html >.Acesso em: 23 set. 2016.

http://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2016/03/14/vigilancia-na-internet-nao-reduz-crimes-apenas-restringe-liberdade.htm

http://www.cartacapital.com.br/blogs/outras-palavras/a-internet-tragada-pelo-capitalismo-de-vigilancia

http://extra.globo.com/noticias/viral/mae-deixa-bebe-no-chao-fica-olhando-celular-em-aeroporto-foto-viraliza-19903397.html

http://blogs.oglobo.globo.com/pagenotfound/post/mulher-beija-outro-na-despedida-de-solteira-video-viraliza-e-casamento-e-cancelado.html

Os problemas das mídias sociais

help“As mídias sociais deram o direito à fala a legiões de imbecis que, anteriormente, falavam só no bar, depois de uma taça de vinho, sem causar dano à coletividade. Diziam imediatamente a eles para calar a boca, enquanto agora eles têm o mesmo direito à fala que um ganhador do Prêmio Nobel.” A polêmica fala de Umberto Eco (1932 – 2016), autor italiano e pilar internacional de toda uma disciplina que marcou os estudos em Comunicação (a semiologia), foi dita após a cerimônia na Universidade de Turim na qual recebeu o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura, em 2015. O autor de “O nome da rosa” (1980) já havia demonstrado seu descontentamento em relação às novas mídias outras vezes: em 2007, em entrevista para a Revista Época, afirmou que “os tablets são mais para entretenimento do que para estudo”, desprezando os e-books, ainda novidade no mercado editorial. Há certo conservadorismo e até mesmo algo elitista nesta posição (é de fato preciso ser um ganhador de um Nobel de Literatura para discutir romances?), mas a fala de Eco nos faz pensar nos problemas do uso corrente das mídias sociais, uma das mais proeminentes ferramentas de articulação e interação social na rede, e sua relação com o jornalismo móvel.

O que são mídias sociais?

Quando falamos de mídias sociais, falamos de ferramentas que servem ao compartilhamento e à criação colaborativa de informação dos mais diversos formatos. Blogs como este próprio, microblogs (como o Twitter e o Snapchat) e redes sociais (como o Orkut, o Facebook e o Google Plus) fazem parte deste universo, embora as classificações volta e meia se embaralhem. Garton, Haythornthwaite e Wellman (1997), citados por Raquel Recuero (2009, p. 15), definem as supracitadas redes sociais como uma rede de computadores que conecta uma rede de pessoas e organizações.

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O mensageiro do IRC, criado em 1988, com um design simples e um tanto rústico. Desenvolvido  em servidores na Universidade da Finlândia, o IRC foi um protocolo de comunicação e troca de arquivos muito importante nos anos 1990 (durante a Guerra do Golfo, em 1993, o IRC foi utilizado para divulgar notícias do Oriente Médio em tempo real). Ao fim do século, foi criado o mIRC, que possibilitava chats e conversas privadas, nas quais os usuários podiam se identificar com nicks e cores personalizados. (Imagem: Canal Tech)

Estas mídias podem se articular com o jornalismo móvel de várias maneiras: empresas jornalísticas podem se apropriar das redes para a realização de boletins ou debates (os debates da TV Folha, por exemplo, são transmitidos ao vivo pelo Facebook e costumam render bons números de visualizações, principalmente quando os convidados são personalidades polêmicas na web, como Sara Winter e Kim Kataguiri), as pessoas podem, independentes, noticiar acontecimentos in loco, fazendo, ou não, parte de uma organização informal, como no midialivrismo do Mídia Ninja etc.

Quem são os atores na rede?

Ao abordar a forte presença das representações de pessoalidades nas redes sociais (desconstruindo a concepção inicial de que, na internet, não é tão importante quem somos e onde estamos, mas o que dizemos), Recuero afirma que “é preciso colocar rostos e informações que geram individualidade e empatia na informação geralmente anônima do ciberespaço” (2009, p. 27). As redes sociais online marcam um tempo em que a anarquia e a liberdade já não são as características mais expressivas da rede, como se tinha anteriormente (hoje são os hacktivistas que defendem esta perspectiva).

Desde antes do que chamamos de redes sociais online há essa pessoalização da rede. O blog, cujo formato existe provavelmente desde 1997, por exemplo, é definido por Denise Schittine (2004, p. 60) como “uma adaptação virtual de um refúgio que o indivíduo já havia criado anteriormente para aumentar seu espaço privado”.

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Dirigido por David Fincher, A Rede Social (The Social Network, 2010) conta a história da origem do Facebook. No filme e na vida real, o site surgiu com o nome FaceMash, criado por Mark Zuckerberg com o algorítmo desenvolvido por Eduardo Saverin, com o intuito inicial de eleger as garotas mais atraentes de Harvard. Hoje, o Facebook é a mais popular das redes sociais online, reunindo mais de 1 bilhão de usuário ativos  pelo mundo. (Gif: Rebloggy)

Não parece uma definição muito diferente da concepção de redes sociais online mais recentes, como o Orkut e o Facebook, ambas criadas em 2004. Raquel Recuero põe em foco os atores sociais (ou melhor, as representações dos atores sociais), pessoas que atuam de forma a moldar as estruturas sociais, através da interação e da constituição dos laços sociais (2009, p. 25), pautando o permanente processo de construção e expressão de suas identidades no ciberespaço (p. 26).

O que são laços sociais?

Estes laços sociais, segundo Recuero, são formas mais institucionalizadas de conexão entre atores, constituídos no tempo e através da interação social (2009, p. 28). Eles podem ser associativos (mais fracos, definidos por uma interação reativa; aceitar uma solicitação de amizade no Facebook, por exemplo) ou dialógicos (mais fortes, definidos por uma interação mútua, como trocar scraps com alguém no Orkut).

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Como Umberto Eco, o escritor português José Saramago (1922 – 2010) também olhava desconfiado para as interações sociais mediadas pelo computador. “Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descemos até o grunhido”, disse, sobre o sucesso do Twitter, em entrevista para O Globo, em 2009. (Imagem: Arquivo O Globo)

É importante pensar nos laços sociais porque a maneira como eles são compreendidos pela internet, cada vez mais conduzida por algorítmos que vão se tornando mais complexos e sofisticados diariamente (a cada ano, o Google realiza aproximadamente 500 aprimoramentos no código do seu sistema, segundo matéria da Folha de S.Paulo de 2014), pois as redes sociais irão se dedicar a manutenção destes, buscando preservar suas ligações reais. Também nossas interações mais solitárias serão estudadas por códigos em toda a rede; nossas pesquisas no Google, nossas preferências musicais no Spotify, nossos likes e demais reações no Facebook.

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Apenas 20% das postagens dos amigos do usuário médio do Facebook chegam a ser exibidas em seu feed. (Infográfico: Filipe Rocha/Folhapress/2014)

 

Quais são os problemas nas interações mediadas pelo computador?

Cercado por nossas próprias preferências, acabamos por interagir numa comunidade virtual feita por e para nós próprios. Isso é prejudicial por vários motivos; ao não se deparar com opiniões divergentes, diferentes narrativas e pontos de vista deixam de dialogar, prejudicando o debate público em várias instâncias e relativizando o livre acesso à informação. Em entrevista à Revista Época, em agosto de 2012, o ativista digital americano Eli Pariser afirma que

Quando você lê uma revista ou liga a televisão, você tem uma ideia de qual é a linha editorial daquela publicação ou canal. O mesmo vale, mais ainda, quando você conversa pessoalmente com um amigo cujas opiniões políticas você conhece. Você sabe quais pontos de vista estão lá e quais não estão, e sabe onde encontrar os que ficaram de fora. No Google e no Facebook, nada é explícito. Você não sabe em que perfil de usuário os sites te enquadram nem em que informações se basearam para chegar àquela conclusão. Não é possível saber o que você está perdendo, que partes da internet estão fora de seu alcance. As informações desaparecem sem aviso. (PARISER, 2012)

Uma rede pouco neutra pode prejudicar o jornalismo na medida em que informações de inegável relevância são ocultadas para não ferir as preferências pessoais, políticas ou ideológicas do usuário da rede. A forma como as redes sociais online se configuram atualmente lembram, de certa forma, os perigos de uma história única, termo popularizado pela romancista e ativista nigeriana Chimamanda Adiche: na ausência do contraditório, toma-se a parte pelo todo e não se percebe as reais nuances e minúncias do mundo. O jornalismo tem muito a perder neste contexto, pois ele é, em essência, o contato com o contraditório, o embate de diferentes versões de uma mesma história, um espaço de disputa de perspectivas, opiniões, pontos de vista, narrativas.

 

 

Anexos:

Tweet de Vinícius Perez (@chinisalada)

 


Palestra de Eli Pariser no TED 2011 sobre os Filtros Bolha.

 


Palestra de Chimamanda Adichie no TED 2009 sobre O perigo da história única. A fala de Adichie trás uma ideia de enfrentamento dos valores dominantes de uma cultura transnacional através da literatura.

 

Referências:

SCHITTINE, Denise. Blog: comunicação e escrita íntima na internet. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2004.

Recuero, R., Redes Sociais na Internet., Porto Alegre, Sulina, 2009. (Cap. 1)

http://www1.folha.uol.com.br/tec/2014/03/1432549-quem-decide-o-que-voce-ve-na-internet.shtml
<Acesso em 25 de agosto de 2016>

http://revistaepoca.globo.com/ideias/noticia/2012/08/internet-esconde-quem-discorda-de-voce.html
<Acesso em 25 de agosto de 2016 >

http://canaltech.com.br/materia/nostalgia/o-bom-e-velho-mirc-nao-morreu-112/ <Acesso em 26 de agosto de 2016>

 

O jornalismo transmídia

As novas mídias, os dispositivos móveis e eletrônicos proporcionaram uma nova forma de construir e veicular a informação. Youtube, Twitter, Facebook, blogs e outras plataformas de comunicação possibilitaram um alcance mais amplo com o público e permitiram uma maior participação com este.

O jornalismo transmídia vai se apropriar dessas plataformas para produzir uma reportagem de amplo alcance, na qual os usuários podem ter contato: utilizando o smartphone, assistindo à televisão, ouvindo a rádio ou com qualquer outro meio de veiculação que a notícia esteja adaptada.

Espera aí, o que é transmídia?

De acordo com Jenkins (2009), transmídia é uma convergência de textos para criar uma narrativa tão ampla que não pode ser contida em uma única mídia. Dessa forma, o texto se desenrola através de múltiplas plataformas de mídias que alteram a história e as adaptam de acordo com o meio, sendo que cada modificação contribui para um todo em comum.

Para melhorar a compreensão sobre transmídia, assista ao vídeo abaixo:

Jornalismo coletivo

A transmídia no jornalismo utiliza a participação dos usuários para a construção das reportagens. A rapidez com que a informação é compartilhada através dos dispositivos móveis permite aos profissionais da comunicação ficarem cientes de algum ocorrido com uma maior facilidade e por vezes chegam até a usar fotos ou vídeos feitos pelas pessoas que estavam presentes no momento exato da situação.

Ao se apropriar dessas informações o jornalista vai adaptá-las para cada mídia, e assim a notícia é apresentada de um jeito no jornal impresso, de outro na TV e alcança o leitor onde quer que ele esteja, desde que este possua um dispositivo móvel.

Segundo Scolari (2014, apud MASSAROLO 2015), o jornalismo sempre teve um caráter transmídia, mesmo na época em que não existia redes sociais os usuários ligavam para às rádios, mandavam cartas para os editores de jornais e as notícias expandiam do rádio para a televisão e para os impressos.

Graças ao surgimento das novas mídias e o papel fundamental dos dispositivos móveis esse processo ganhou uma maior dimensão.

Jornalismo  e usuários

A rede Globo criou novas plataformas para se enquadrar cada vez mais ao modelo transmidiático. O portal Globo.com, por exemplo, possui ramos como o G1, O Globo Esporte, GShow, blogs e estes, por sua vez, estendem o conteúdo jornalístico e de entretenimento veiculado na TV e contam com a participação dos usuários.

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Plataformas da Rede Globo (Foto: Reprodução)

O jornalismo está se apropriando cada vez mais da interação com os seus usuários. Pois, tudo está interligado. De acordo com Jenkins (2009), o público está acabando com a ideia de que só autor pode escrever a história e por sua vez, está inovando e reescrevendo as histórias.

Veja o que Jenkins aborda nesse vídeo:

Narrativa transmídia para além do jornalismo

Um exemplo de narrativa transmídia pode ser observado na história do filme Capitão America: Guerra Civil (2016), da Marvel Studios, em que existe uma relação com todo o universo da Marvel.

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Imagem: Divulgação

Essa história é veiculada através de outros filmes, séries, HQs e vídeo games. Em cada uma dessas plataformas vai existir uma nova história que está relacionada com todas as outras, ou seja, a pessoa que assistir somente a um filme vai entender um pedaço da história e para que ela entenda o todo é preciso navegar por todos os meios.

Conclusão

O jornalismo transmídia faz parte de uma nova era: a Era da Convergência de Informações. Ele se utiliza das novas plataformas e das novas mídias para ampliar a capacidade de participação e alcance ao público.

No jornalismo transmídia não existe autor, mas sim, autores e autoras pois, a participação do público é o que inova cada história.

Referências

JENKINS, H., Cultura da Convergência, RJ. Aleph, 2009.

MASSAROLO, João. Jornalismo transmídia: a notícia na cultura participativa. Revista Brasileira de Ensino de Jornalismo, Brasília, v. 5, n. 17, p. 135-158, jul./dez. 2015. Diponível em: <http://www.fnpj.org.br/rebej/ojs/index.php/rebej/article/viewFile/433/255&gt; . Acesso em: 24 ago. 2016.

Os dispositivos móveis e a construção das novas mídias jornalístias

A difusão cada vez maior dos dispositivos móveis de comunicação, sobretudo os smatphones, tem servido de mola propulsora para o desenvolvimento das novas mídias jornalísticas.

Jornalismo é definido por Bechara (2011) como sendo a atividade profissional que consiste em coletar e investigar informações, editar e publicar notícias e reportagens; sendo a imprensa a totalidade dos jornalistas e meios de comunicação.

Pelos celulares, são produzidos e distribuídos cada vez mais e diversificados conteúdos em um espaço de tempo cada vez menor. Lemos (2009) define esses aparelhos móveis como “teletudo”, devido a capacidade de convergência de diversas funções que eles possuem, conectando vozes, dados, imagens fixas e animadas, vídeos, música e mensagens de texto.

Diante disso, a produção da notícia foi democratizada e uma série de canais, definidos genericamente como alternativos, surgiu e hoje divide o protagonismo jornalístico com a imprensa corporativa/tradicional.

Essa abertura da produção da notícia está diretamente relacionada a uma das leis do processo atual da cibercultura, a Liberação do Polo de Emissão. Por esse princípio, o antigo receptor passa a agir também como emissor de informação, de forma livre e multimodal (Lemos, 2009).

Lemos (2009) cita como exemplo da liberação do polo de emissão as imagens de catástrofes naturais, ataques terroristas e guerrilhas urbanas ocorridos recentemente e que foram registradas através de câmeras de smartphones de pessoas que presenciaram os fatos. Imagens essas que circularam o mundo e foram replicadas maciçamente, inclusive pela mídia tradicional.

A afirmação do autor supracitado vai ao encontro da previsão de Jenkins (2009) que, citando Pierre Levy, disse que a distinção entre autores e leitores, produtores e espectadores, criadores e intérpretes se dissolverá a ponto de formar um circuito de expressão, com cada participante trabalhando para sustentar a atividade dos outros.

Uma gramática em construção

Evidente que a gramática adotada pela nova mídia não segue a linha dos veículos tradicionais. Até porque, muitos desses novos comunicadores não são necessariamente oriundos das escolas de comunicação e, por isso, não carregam as imposições acadêmicas ou a padronização dos veículos corporativos.

Para Vilas Boas (1996), o texto jornalístico carrega em si especificidades, de modo que o uso de técnicas que determinarão um estilo próprio se faz necessário para dar ao leitor o entendimento de que à sua frente está um texto jornalístico.

A linguagem das mídias emergentes, de certo modo, subverte o classicismo das tradicionais, colocando em xeque a relação do receptor com a ideia convencional de texto jornalístico.

Os enquadramentos pasteurizados, no caso das fotografias e vídeos, deram lugar a imagens tremidas, borradas e repletas de ruídos, dos aparelhos celulares. Quando se trata de textos escritos, Squarsi (2011) afirma que na rede a notícia é um ser vivo com pernas e asas que se modifica ao longo do dia. “O título e a chamada mudam tantas vezes quantas forem necessárias”.

A pesquisadora ressalta que os textos nesse formato não podem superar o tamanho das telas e devem ter a leitura facilitada por hiperlinks, vídeos, galerias de fotos e outros recursos multimídia, afim de acompanhar o ritmo do leitor moderno.

As linguagens dialogam

Apesar das diferenças entre as linguagens, a nova mídia absorve ideias da irmã tradicional. Ainda de acordo com Squarisi (2011), o conceito “antigo” da pirâmide invertida, o lide, nunca esteve tão na moda quanto com o jornalismo online, sobretudo o feito por e para smartphones.

A necessidade de informar o fato o mais rápido e num menor número de linhas possível, obriga os jornalistas digitais a serem precisos. Assim, eles necessitam responder o que; quem; quando; como; onde; e porque da notícia já na abertura do texto.

Em uma analogia da Mídia Nova com o Cinema Novo – movimento brasileiro dos anos 1960 cujo lema era “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” – que se propôs a romper os paradigmas vigentes na época, ou seja, inaugurar um cinema rompesse com o tradicional; ele também se baseou em movimentos já existentes: o Neorrealismo Italiano e a Nouvelle Vague Francesa (Kemp, 2011).

Ainda tomando o cinema como exemplo, Jenkins (2009) afirma que na era do pós-modernismo nenhum filme pode ser experimentado com olhos virgens; todos são interpretados à luz de outros filmes. Ou seja, possuem referências já conhecidas.

Esse diálogos entre o tradicional e o novo retrata perfeitamente o hibridismo entre as culturas da comunicação, algo tão necessário para a sua atualização e, acima de tudo, sobrevivência (Lemos, 2009).

Mídia Ninja: um caso de sucesso

A rede de comunicadores e mídia Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação (NINJA) é, talvez, o exemplo brasileiro mais bem sucedido de nova mídia que tem como um dos seus pilares a produção de conteúdos por dispositivos móveis.

“Apostamos na lógica colaborativa de criação e compartilhamento de conteúdos, característica da sociedade em rede, para realizar reportagens, documentários e investigações no Brasil e no mundo”, descreve o coletivo em sua página no Facebook.

“Vivemos uma cultura peer­to­peer (P2P), que permite a troca de informações diretas entre as pessoas, sem a presença dos velhos intermediários. (…) Neste novo tempo, emergem os ‘cidadãos multimídia’, com capacidade de construir sua opinião e compartilha-la no ambiente virtual”, completa o texto.

Martinez e Persichetti (2015) compararam as coberturas fotojornalística do Mídia Ninja e da Folha de S.Paulo durante a abertura da Copa do Mundo de 2014. Segundo os autores, o Mídia Ninja apresentou uma cobertura diversificada do evento, com fotografias irregulares, vívidas, que buscavam capturar o evento no calor do momento.

Enquanto a Folha se preocupou apenas em destacar os elementos da violência do evento, especialmente os acontecimentos que tiveram impacto direto na imprensa internacional que veio ao Brasil cobrir a Copa.

As três imagens a seguir fazem parte da cobertura do Mídia Ninja da abertura da Copa
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Foto: Reprodução Mídia Ninja

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Foto: Reprodução/Mídia Ninja

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Foto: Reprodução/Mídia Ninja

As fotos do Mídia Ninja foram legendadas com textos curtos, informais, quase ingênuos. Essa opção textual, segundo os autores do estudo, se deu por conta da pressa para liberar o material para os espectadores ou pela tentativa de passar para esse espectador a sensação de uma cobertura em tempo real.

Prisão de Eduardo Suplicy

Outro exemplo de cobertura do Mídia Ninja de grande repercussão foi o episódio envolvendo a prisão do ex-senador Eduardo Suplicy, em julho deste ano. O político de 75 anos foi detido após protestar contra reintegração de posse na cidade de São Paulo.

Inúmeros vídeos mostrando Suplicy sendo carregado pelos policiais circularam na internet naquele 25 de julho. Dentre eles, o do Mídia Ninja, que foi emoldurado no Twitter do coletivo pela legenda: “ABSURDO! Eduardo Suplicy acaba de ser detido pela PM ao proteger famílias de uma reintegração de posse na Zona Sul”.

Assista ao vídeo:

Não há inocentes no universo midiático

Apesar dos novos veículos representarem um outro ponto de vista em relação aos fatos, eles não são necessariamente mais imparciais do que os meios tradicionais. Em relação a isso, Martinez e Persichetti (2015) afirmam que não há olhar inocente e que por trás de qualquer imagem existe um olho ideológico que pretende apresentar um ponto de vista acerca de um determinado assunto.

Conclusões

Os smartphones de certo modo favoreceram as pessoas a colaborarem com a produção jornalística. Através desses computadores de bolso, cidadãos comuns podem hoje ocupar o espaço que até pouco tempo atrás era exclusivo de uma minoria controlada por grandes conglomerados midiáticos.

Essas grandes empresas de mídia, por sua vez, ainda exercem forte influência na difusão de conteúdos jornalísticos. Mesmo porque elas souberam se apropriar das ferramentas que compõem as novas mídias (redes sociais, versões mobile, etc) para sustentar a forma e o conteúdo que vêm repetindo através dos veículos de comunicação de massa.

É inegável, porém, que a popularização do smartphone, somada à melhoria dos serviços de banda larga, difusão de conhecimento a respeito do uso da tecnologia para a produção de conteúdos, dentre outros fatores, vêm contribuindo para a democratização da emissão de opiniões através de conteúdos jornalísticos e, consequentemente, para o enriquecimento do debate de ideias.

Referências:

LEMOS, A. Cibercultura como território recombinante.A cibercultura e seu espelho: campo de conhecimento emergente e nova vivência humana na era da imersão interativa. São Paulo: ABCiber, p. 38-46, 2009. Disponível em: http://www.com.ufv.br/cibercultura/wp-content/uploads/2014/02/01.-Andr%C3%A9-Lemos-Cibercultura-como-Territ%C3%B3rio-Recombinante.pdf

JENKINS, H., Cultura da Convergência, RJ. Aleph, 2009.

MARTINEZ, M. PERSICHETTI, S. Mídia Ninja: a narrativa fotojornalística brasileira na era digital. Líbero – São Paulo – v.18, n.35, p.55-64, jan./jun. de 2015.

VILAS BOAS, S. O estilo magazine: o texto em revista/Sergio Vilas Boas. – São Paulo: Summus, 1996. – (Coleção Novas Buscas em Comunicação; v.52), p.7.

BECHARA, E. Dicionário da língua portuguesa Evanildo Bechara/Evanildo Bechara – 1.ed. – Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 2011.

KEMP, P. Tudo Sobre Cinema [tradução de Fabiano Morais et al];  Rio de Janeiro: Sextante, 2011. p.264-265.

SQUARISI, D. Manual de Redação e Estilo para Mídias Convergentes. –São Paulo: Geração Editorial, 2011. p.54-56.

Anexo:

Confira a entrevista de Bruno Torturra e Pablo Capilé, fundadores do Mídia Ninja, ao programa da TVE Roda Viva

A influência dos dispositivos móveis no jornalismo/jornalistas tradicionais

Com a massificação dos dispositivos inteligentes de comunicação móvel, os veículos de comunicação tradicionais passaram a se utilizar dessas novas plataformas para difusão dos seus conteúdos. Assim, vêm surgindo uma série de ferramentas (aplicativos, sobretudo) com o intuito de levar as rádios, TVs e jornais para dentro dos tablets e smarthphones.

Apesar das plataformas móveis servirem originalmente para o escoamento do conteúdo produzido nas mídias clássicas, esses novos dispositivos têm influenciado também a forma de se fazer jornalismo. Não raramente, profissionais de imprensa compartilham conteúdos jornalísticos via smartphone sem que o material passe pelo banho de edição de outrora (Polydoro e Costa, 2014).

Como descreveu Firmino (2015), a apropriação do aparato permitiu a expansão das iniciativas de emissão diretamente dos lugares dos acontecimentos. O afã em compartilhar notícias se dê, talvez, pelo fato de atualmente a funcionalidade sobrepor à qualidade (Sennett, 2009), uma vez que a rapidez na difusão das notícias tornou-se, mais do que nunca, fundamental para o sucesso econômico do veículo.

A influência dos dispositivos móveis na mídia tradicional se faz presente ainda em reportagens que, mesmo gravadas com câmeras de TV tradicionais, se utilizam de movimentos ao estilo “self”.

“Nesta nova e sempre mutante economia da atenção , vídeos produzidos de forma não profissionais, por vezes agudamente rudimentares, expostos e exibidos no Youtube ou em redes sociais como o Facebook, disputam audiência com os programas de televisão, o cinema e outros produtos audiovisuais institucionalizados – que por sua vez, mimetizam a estética de tais imagens ou apropriam-se dos próprios vídeos como matéria-prima na composição da narrativa”, (Polydoro e Costa, 2014).

Quem não se lembra do vídeo “Senhora”, onde uma repórter da Globo sai correndo com o seu câmera atrás de uma servidora pública fantasma. Além disso, alguns apresentadores se declaram ávidos usuários dos smartphones no ambiente de trabalho.

Veja vídeo:

Caso Boechat
No dia 8 de julho deste ano, o Jornal da Band apresentou a alternativa, que entrou no ar na segunda-feira seguinte, de assistir ao programa pela rede social Facebook. A matéria fez questão de ressaltar a possibilidade dos espectadores interagirem com os apresentadores através dos comentários enviados por tablets e celulares.

Ao voltar para a bancada, o âncora Ricardo Boechat revelou que a novidade implantada pelo veículo apenas tornaria legítimo algo que ele e a companheira de bancada Paloma Tocci já faziam de modo “clandestino”. O bem humorado apresentador tornou público que costuma usar o smartphone enquanto apresenta o jornal para responder comentários de espectadores.

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“A chegada do Jornal da Band ao Facebook vai dar escada de milhões a algo que nós dois [aponta para Paloma Tocci] já praticamos aqui na bancada meio que indisciplinadamente. Ambos trazemos os nossos celulares [mostram os aparelhos] para a bancada do Jornal da Band. Não só trazemos como consultamos as mensagens que nos chegam e também respondemos. Ou seja, é a ampliação de uma prática que já vinha sendo feita aqui, meio que clandestinamente e agora chega ao Facebook para que você possa interagir conosco em uma escala muito maior”, disse Boechat.

Para Squarisi (2011), a melhor maneira de apresentar um produto jornalístico é aquela que seja mais atraente e adequada ao receptor. A pesquisadora destaca ainda a importância dos veículos buscarem uma interação hipermídia. O Jornal da Band ao migrar para o Facebook deu um passo nesse sentido.

Além do que, o jornal estreita ainda os laços com o seu receptor e faz dele agente colaborativo da elaboração do produto; colaboração esta que vem sendo crucial para o desenvolvimento dos aparatos e técnicas da comunicação, como foi o caso da evolução dos aparelhos de telefones celular (Sennet, 2009).

O sapato de André Rizek
O noticiário esportivo Redação Sportv é outro exemplo de como o smartphone tem influenciado jornalismo e jornalista. O apresentador André Rizek durante quase todo o programa está municiado do seu aparelho celular. Esse, no entanto, não é um ato de contravenção e sim um elemento do programa que tem na interação direta com o público, sobretudo via Twitter, uma das suas principais armas.

Em muitos momentos, Rizek emparelha o conteúdo da tela do smartphone com a imagem exibida pela TV. De modo que o espectador passa a compartilhar diretamente com o âncora o que se passa na intimidade do celular do apresentador, aproximando o estúdio da sala de casa do receptor.

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André Rizek durante o Redação Sportv (Foto: Reprodução)

Tamanha é a intimidade e a velocidade na troca de informação entre Rizek e seu público que, durante o programa do dia 18 de abril deste ano, na saída para o intervalo comercial, a câmera flagrou o tênis do apresentador, sugerindo que ele estivesse descalço. Imediatamente, choveram Tweets sobre o pé do Rizek e, assim que o programa voltou ao ar, ele se desculpou pela situação inusitada e justificou o embaraço.

“Estou com um corte (no pé) e não estou conseguindo calçar o sapato, então deixei o sapato ali a parte, mas achei que ninguém iria perceber. Mas eu fiquei impressionado com a quantidade das pessoas que conseguiu perceber que estou sem o sapato. Foi mal, galera”, disse.

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Conclusão
O que se percebe no momento é uma busca incessante pela interatividade no fazer jornalístico (Squarisi, 2011), impulsionada pelas transformações ciberculturais, que tem influenciado diretamente aquelas pessoas responsáveis pela elaboração de conteúdos. O momento dialoga com Lemos (2002) quando o pesquisador afirma que a técnica desempenha papel fundamental na formação do homem, nesse caso, do jornalista.

Referências
FIRMINO, Fernando. Jornalismo móvel. Salvador: EDUFBA, 2015. Disponível em https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/18003/1/jornalismo-movel-miolo-repo.pdf.

Manual de Redação e Estilo para Mídias Convergentes: Dad Squarisi. –São Paulo: Geração Editorial, 2011.

LEMOS, A. Cibercultura. Tecnologia e Vida Social na Cultura Contemporânea., Sulina, Porto Alegre., 2002.

SENNETT, Richard. O artífice. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 2009. 364 p.

POLYDORO. F. da S, COSTA. B. S; LÍBERO – São Paulo – v.17, n.34, p.89-98, jul./dez. de 2014 – A apropriação da estética do amador no cinema e no telejornal